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Booklet do Dragon Box

By admin
In Booklets
nov 18th, 2013
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    Versão traduzida por Sagatwin do bônus do Dragon Box, o segundo volume da coleção de DVDs lançada pela Bandai Visual. Além da enciclopédia ilustrada dos personagens, o livreto contém inestimáveis informações dos bastidores da série, croquis de criação dos cavaleiros de aço e um catálogo de miniaturas da linha Saint Cloth.

   A publicação também presenteia os entusiastas do anime com o registro de aparição de personagens, a apresentação de alguns dos LPs e CDs da série, a filmografia dos episódios ínsitos na caixa e duas entrevistas imperdíveis — os bate-papos com o premiado roteirista Takao Koyama e o saudoso ator Hirotaka Suzuoki, eternizado pela antológica dublagem do Cavaleiro de Dragão.

 

Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Saint Seiya DVD Box 2 Dragon Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 2º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Lançamento: 28 de março de 2003.
Número de catálogo: BCBA-1352.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
 
 Edições relacionadas:
Pegasus Box
Andomeda Box
Cygnus Box
Phoenix Box
The Movie Box
 
 
 

01 

 

03

 

 

04 05 06 07 08 09 10 11 12

 

Detalhes da Produção

Introdução ao Dragon Box

   De acordo com os manuscritos da época do planejamento da difusão, a série Saint Seiya teria como público-alvo os meninos do ensino fundamental. Para que o programa agradasse ao público de menor idade, a conversão do mangá em animação ensejou diversas alterações na história. A maior mudança inicial foi a inversão da identidade do assassino infiltrado pelo Santuário nas Guerras Galácticas. Nos quadrinhos, Hyoga exercia o papel de executor, ao passo que, no anime, Ikki era o sicário a serviço do Santuário.

   Por essa razão, nos intervalos da programação do canal, eram veiculadas pelos patrocinadores vinhetas com uma ilustração do embate entre Ikki e Seiya.  Nessa ilustração, as armaduras de Pégaso e de Fênix possuíam asas. Curiosamente, as indumentárias aladas do croqui só foram exibidas uma vez em toda a série animada.

   As adaptações foram efetuadas ainda no início do projeto da série televisiva, época em que o mangá publicava a fase dos cavaleiros negros. Nesses tempos, o desenvolvimento da Saga do Santuário ainda era uma incógnita, razão pela qual foi estabelecido que os cavaleiros negros, sob a liderança de Ikki, seriam os vilões da primeira temporada do anime.

   Como Ikki haveria de se tornar um aliado na segunda temporada, foi necessário dar ênfase ao caráter espúrio do Santuário. A corrupção da organização foi evidenciada pela introdução de personagens como o chefe de estado-maior, Gigas, e do ignóbil Faeton, seu homem de confiança. A aparição desses personagens era o prelúdio da criação de muitas outras figuras exclusivas da animação.

   Devido a essas medidas, ficou claro o antagonismo maniqueísta entre o Santuário, que tencionava dominar o mundo, e a Fundação Graude, que obliterava a todo custo a despótica ambição do refúgio da Grécia. O globo todo se tornou palco de batalhas sangrentas, fator que propiciou o enriquecimento das numerosas cenas de luta da série.    

   A terceira temporada sedimentou a audiência da série, prospectando dos quadrinhos a Saga dos Cavaleiros de Prata e sujeitando-se às mais significativas alterações em relação à obra da Jump.

   No mangá, o grupo de assassinos do Santuário era constituído por 13 cavaleiros de prata; contudo, era praticamente impossível condensar a participação desses inimigos em apenas 3 episódios, o que acarretou a criação de novos cavaleiros autóctones para enfrentá-los em mais episódios.

   Naquela época, o mangá ganhava mais e mais fama graças à publicação da Saga das 12 Casas. Essa ascensão e o propósito de ajustar o introito da batalha no Santuário à animação culminaram na auspiciosa produção de episódios centrados nos cinco cavaleiros de bronze principais.

 Durante a difusão da terceira temporada, não se pode olvidar o advento dos cavaleiros de aço (guerreiros que, na verdade, foram apresentados ao público no episódio 25, que encerrava a segunda temporada).

   Antes de falar dos cavaleiros de aço, é necessário abordar o processo de criação dos brinquedos da animação. Conforme mencionado na introdução ao Pegasus Box, a transposição do mangá para o anime se deu em tempo recorde. O mesmo ocorreu na fabricação dos brinquedos da franquia — a série foi ao ar em outubro, ainda que o patrocínio da Bandai tenha sido firmado em setembro, apenas um mês antes.

   Embora os planos já estivessem em estágio avançado antes da celebração da parceria, não é difícil imaginar que o desenvolvimento-relâmpago dos brinquedos também tenha sido uma exceção aos padrões da indústria.

   A mercantilização dos artigos colecionáveis teve início com a concepção das miniaturas com armaduras removíveis dos cinco protagonistas, que inauguraram a linha Saint Cloth. As apostas iniciais da empresa limitaram-se ao lançamento de seis produtos, com a linha Saint Cloth e o dispositivo sonoro Pegasus Ryûseiken inclusos.

   Como a reunião ocorrida no outono antecedeu a estreia da animação, os personagens não eram vistos com bons olhos pelo pessoal da distribuição; entretanto, no final de 86, os bonecos da linha Saint Cloth sumiram das prateleiras num piscar de olhos, obrigando a indústria a aumentar a produção de imediato (a partir de abril de 1987, materiais como a caixa com janela transparente foram abolidos a fim de otimizar o tempo de fabricação, estabelecendo o padrão definitivo).

   Desafiando a máxima de que brinquedos de vilões não vendem bem, foi lançada uma edição limitada dos cavaleiros negros. Contudo, essas miniaturas também se esgotaram num átimo, e a Bandai se viu compelida a produzir outros produtos da linha Saint Cloth com urgência.

   Inicialmente, foi cogitada a ideia de comercializar as miniaturas dos cavaleiros de bronze secundários e dos cavaleiros de prata, mas, pelas razões já relatadas, esse plano foi descartado. A solução encontrada foi o lançamento da linha Saint Cloth Deluxe, modelos com armaduras de metal pesado e preços elevados.

   Como a demanda foi idêntica à do segmento convencional, era necessário introduzir mais 3 personagens na série para ampliar o número de produtos disponíveis aos consumidores. Dessa necessidade, nasceram os cavaleiros de aço, que foram concebidos com armaduras mecânicas para atrair o público de faixa etária inferior.

   Uma vez que a versão da televisão mirava a sincronização com os quadrinhos, que se imiscuíam cada vez mais nos mitos da Grécia, o surgimento do trio high-tech parecia um paradoxo.

   Mas, embora os entusiastas de idade mais avançada ainda discutam os prós e os contras da participação dos cavaleiros de aço na animação, a inserção desses combatentes foi uma decisão comercialmente irreprochável, haja vista o gigantesco sucesso de suas miniaturas entre as crianças, expandido as hostes de aficionados da obra.

   Apesar de atuar em apenas uma dúzia dos capítulos exibidos pela TV Asahi, os coadjuvantes de vestes mecânicas eram tão importantes para a franquia que tiveram a sua imagem perpetuada no eyecatch do anime (do episódio 26 ao 73) e em comerciais veiculados pelos patrocinadores.

   Epílogo da terceira temporada, o episódio 39 foi o estopim da explosão de popularidade do anime, dando início à famigerada Batalha das 12 Casas.

 

Takao Koyama

 

Entrevista nº 1 — Roteirista da Série

 

“Nestes 30 anos de carreira, eu participei de mais de 80 produções, mas esta foi a obra para a qual eu mais escrevi.”

 

Para começar, o senhor poderia nos contar como se envolveu com esta obra?

Tudo começou quando fui contatado pelo produtor Kazuo Yokoyama. Minha mente estava profundamente impregnada da imagem de Time Bokan, e já fazia cerca de 10 anos que eu só escrevia comédias.

Quando li os mangás que me enviaram, percebi que era uma obra de ação bem série e recusei o convite, mas o senhor Yokoyama proferiu suas palavras fatais: “Eu quero ver como Takao Koyama vai ‘preparar’ esse trabalho”. Depois de ouvir isso, foi impossível recusar. [Risos.]

Depois de trabalhar em animes como Shinzô Ningen Casshan a serviço da Tatsuoko Pro., me engajei em comédias e não tive mais contato com o gênero ação, apesar de sentir falta.

Contudo, as palavras mordazes do senhor Yokoyama acabaram por selar o meu destino. E o resultado foi incrivelmente positivo.

Graças à experiência como escritor de Saint Seiya, a transição de temáticas entre Dragon Ball, uma comédia-pastelão, e Dragon Ball Z, um anime de ação, foi bastante suave.

É por isso que, para mim, este trabalho possui laços estreitos com Dragon Ball Z.

 

O começo do trabalho, quando não havia um estoque de quadrinhos, foi muito difícil?

Para que vocês possam ter uma ideia, naquela época, além de Saint Seiya, eu trabalhava em mais duas séries. Eu escrevia por volta de 10 roteiros por mês.

Por causa dessa jornada insana, eu acabei caindo de cama e me vi obrigado a requisitar outros roteiristas para o desenho.

Entretanto, quando o senhor Yoshiyuki Suga foi contratado, eu já estava completamente exausto, pois havia escrito 26 dos 31 episódios veiculados.

Quando comecei a escrever os scripts, o mangá não havia se desenvolvido muito, e eu não podia inflá-lo a meu bel-prazer. Por isso, para reproduzir o charme da produção, eu fui incentivado a trabalhar os desdobramentos já revelados nas páginas do mangá. Podem imaginar como foi problemático engendrar histórias paralelas e ser obrigado a criar elementos próprios do anime, não?

Apesar de tudo, acho que foi uma experiência proveitosa. Como o anime avançava ao mesmo tempo que o mangá, eu frequentemente era surpreendido pelos novos rumos da obra original.

No entanto, por volta do episódio 20, fui capaz de vislumbrar o panorama do universo do título como um todo e, a partir dos episódios 21 e 22, eu escrevia a todo vapor, sem nenhuma dificuldade.

À medida que o trabalho progredia, fizemos vários testes e, com o passar do tempo, fomos cortando os personagens que não se adaptavam à obra, como o Comandante Faeton, por exemplo. [Risos.]

É claro que não introduzo personagens de qualquer jeito; não posso ficar tecendo histórias irresponsáveis. Por isso, eu os elimino sem nenhum pesar. Afinal, não é segredo que os acréscimos devem ser limitados às partes que as pessoas querem ver.

A aparição dos cavaleiros de aço foi um desastre, não foi? Eu me lembro daquela lambança até hoje. Como resultado, eles foram cortados. [Risos.]

A intenção primordial era trazer um pouco de comédia à série. Acho que os sentimentos que me moviam afloraram em cenas como as das crianças do orfanato Filho das Estrelas.

 

No anime, há uma ênfase no relacionamento de Seiya e Miho, não?

Quando a Saori vira Atena, ela deixa de agir de forma passional, relegando seus sentimentos pessoais. Então, precisei encarregar a Miho desse papel.

Mas, como a ação foi deslocada para o Santuário, não adiantou muita coisa, certo? [Risos.]

 

Fazendo uma retrospectiva do trabalho, o senhor poderia nos dizer qual foi o personagem de quem mais gostou?

Hum, é bem difícil responder… mas eu escolheria o Shiryu, se fosse realmente obrigado. Eu adoro sua ligação com o Mestre-Ancião. Além disso, ainda tem o envolvimento com Shunrei, não?

Como esse tipo de situação era bem menos explorado no que tange aos outros personagens, foi muito interessante compor essas tramas.

O senhor poderia deixar umas palavras aos fãs que compraram estes DVDs?

Nestes 30 anos de carreira, eu participei de mais de 80 produções, mas esta foi a obra para a qual eu mais escrevi.

Guardo no coração incríveis recordações deste trabalho. Acho que, até nas partes em que fracassamos, o zelo dos integrantes do estafe, inclusive o meu, pode ser percebido na alta qualidade do filme.

É por isso que, para mim, Saint Seiya é uma obra-prima dos tempos áureos da animação.

Eu me sentiria afortunado se vocês fossem capazes de captar isso por meio destes DVDs.

 

Nossa equipe agradece.

(2003 – entrevista concedida na sede da Companhia de roteiristas Brother Noppo.)

 

 

Hirotaka Suzuoki

 

Entrevista nº 2 — O Dublador de Shiryu de Dragão

 

“(…) o Shiryu é másculo e cavalheiresco.”

 

O senhor poderia nos contar como foi o processo de escolha do papel do Shiryu?

 

Não houve nenhuma audição específica. Lembro que me disseram: “Tem um personagem de uma série aqui. Por favor, faça o teste”. E eu fui selecionado.

 

Depois de ler o mangá, o que o senhor achou da postura do personagem?

 

Como já era de se esperar, minha primeira impressão foi de que tratava da amizade entre homens. Acima de tudo, do companheirismo dos homens, não?

Pensando agora, particularmente nos laços entre Shiryu e Seiya, sinto que o Shiryu é o complemento da figura de herói incompleto do Seiya. Além disso, o Shiryu é másculo e cavalheiresco.

“Mesmo que custe a minha vida” era seu chavão em toda situação de perigo.

 

Como era ficar no estúdio de dublagem naquela época?

 

Todos os atores principais eram meus conhecidos de longa data. Então, neste sentido, a atmosfera do estúdio era a melhor possível.

Você quer saber se o entrosamento foi fácil? Eu recebi muita ajuda na hora de dublar.

Além disso, o elenco de atores convidados era esplêndido, não é verdade? Eu experimentei uma tensão soberba em vários sentidos.

O senhor tem recordações de alguma parte da dublagem do Shiryu que o tenha impressionado?

 

Tenho muitas memórias das cenas do Shiryu com o Mestre-Ancião. Afinal, o Mestre-Ancião é o bem mais precioso do Shiryu, não?

Aquelas conversinhas com o velho mestre não são o pano de fundo para mostrar o amadurecimento do Shiryu?

É por isso que a composição do Shiryu como personagem é inconcebível sem a presença do Mestre-Ancião.

Na época da difusão, a popularidade entre os fãs era imensa. O assédio foi muito grande?

Sim. A geração de fãs que assistia a Gundam foi sucedida por uma nova geração. Datas comemorativas como o dia dos namorados eram um tremendo sufoco. [Risos.]

Penso que o envolvimento do Shiryu com o Mu também foi bastante impressionante, não?

É verdade. O Kaneto Shiozawa, que interpretou o Mu, sempre foi meu companheiro de gandaia. Sempre foi uma peça rara aquele Kaneto Shiozawa. [Risos.]

Como sou mais bruto, foi muito interessante contracenar com ele. Nossos estilos de interpretação são completamente distintos.

Embora eu também seja niilista, nosso niilismo costumava ser diferente. É confuso, não?

Nós dois saíamos para beber depois do trabalho, mas jamais falávamos de dublagem. Eu dizia: “Agora está parecendo o Kaneto que eu conheço”. Mas ele não tinha jeito e dizia: “O pequeno Suzuoki finalmente está falando como se deve!”

É indescritível como nós conseguíamos nos comunicar sem abrir a boca. Nós nos compreendíamos perfeitamente pelas menores sutilezas.

Eu chego a sentir que o Mu foi um personagem criado pelo próprio Kaneto.

É notório que o pessoal do elenco do anime de Seiya tinha um excelente trabalho de equipe. O senhor tem recordações de experiências fora do estúdio?

Sim. Eu me lembro como se fosse hoje de uma viagem que fizemos a Shuzenji.

Lá nós nos dividimos em dois grupos, o que praticava tênis e o que jogava golfe. Eu era da classe de golfe e, embora não jogue mais, eu me diverti bastante andando para cima e para baixo com o Rukurô Naya, o dublador do Camus.

É desnecessário dizer que o pessoal do golfe e do tênis se reunia à noite para beber e se distrair.

Pensando bem, este trabalho quase não teve mulheres no elenco; então, foi meio solitário, sabe? [Risos.]

Para terminar, por favor, mande uma mensagem aos fãs da série de TV.

Se eu tivesse de resumir em poucas palavras o que eu estou sentindo com o lançamento destes DVDs e dos recentes OVAs, eu diria que é como ir a uma confraternização de ex-alunos.

Os estudantes do ensino médio daquela época cresceram e hoje já precisam lidar com todos os problemas e obrigações da vida adulta. Seria uma alegria sem tamanho saber que essas pessoas estão dando uma pequena pausa nos seus afazeres domésticos para assistir a estes DVDs.

Acredito que, com os 15 anos que se passaram até o lançamento destes DVDs, os meninos e as meninas que acompanhavam Seiya tiveram seus valores modificados pela experiência de vida. 

Essas pessoas devem sentir uma inefável nostalgia ao ver os DVDs. Posso parecer presunçoso, mas acho que são um excelente presente.

Para nós dubladores, também é maravilhoso poder partilhar tais memórias com esses fãs.

 

Muito obrigado.

 

(2003 – entrevista concedida no estúdio Tavac.)

 

 

 

 

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