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Booklet do Phoenix Box

By admin
In Booklets
nov 18th, 2013
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   Versão traduzida por Sagatwin do bônus do Phoenix Box, o quinto e último volume da coleção de DVDs lançada pela Bandai Visual. Além da enciclopédia ilustrada dos personagens, o livreto traz inestimáveis informações dos bastidores da série, esboços conceituais, detalhes dos marines, o mapa do mundo submarino e um catálogo de miniaturas da linha Saint Cloth.

   A publicação também premia os fãs com o registro de aparição de personagens, a quinta parte da discografia da série, a filmografia dos episódios ínsitos na caixa e duas entrevistas imperdíveis — os bate-papos com o saudoso mestre Shingo Araki e com o ator Hideyuki Hori, antigo dublador do Cavaleiro de Fênix.

 

Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Saint Seiya DVD Box 5 Phoenix Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 5º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Lançamento: 21 de dezembro de 2003.
Número de catálogo: BCBA-1355.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
 
 Edições relacionadas:
Pegasus Box
Dragon Box
Andomeda Box
Cygnus Box
The Movie Box

 

 

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Transcrição da Edição

 

 

Detalhes da Produção

 

Introdução ao Phoenix Box

 

   Esta coleção encontra seu final no compêndio das histórias que compreendem a fase de Posseidon. Embora a produção tenha ganhado fôlego em relação à cronologia do mangá com os 24 episódios de Asgard, o fim do programa foi decidido, e a cota de episódios restantes foi limitada a 15.

   A Saga de Posseidon se inicia como epílogo da Saga de Asgard, focando Seiya no encalço de Saori, que havia sido raptada e levada ao fundo do mar. Sem ao menos ter tempo para curar os ferimentos sofridos nos embates com os guerreiros-deuses, Seiya se dirige ao templo submarino, abrindo as cortinas de uma nova batalha.

   Os eventos ocorridos no mangá foram serializados numa velocidade absolutamente anômala. Contrariando as expectativas originais, essa saga se consolidou como o produto da decisão de encerrar a difusão com 114 episódios; contudo, a soberba composição da série fez com que o cancelamento não fosse sentido.

   Com uma excepcional roteirização, a última parte da história foi concretizada sem mimetizar a trama da obra original. Isso jamais teria sido possível sem as estupendas habilidades do senhor Suga. A última cena da animação destoou bastante dos quadrinhos do mangá, no qual Tétis exibia a sua verdadeira forma, saltando entre as ondas transfigurada em sereia. O desfecho do anime é ainda mais fantástico.

   A priori, por se tratar de uma produção original para a televisão, não havia estoque de mangás, Logo, não existia um senso de diretriz a ser seguida. Entretanto, a Saga de Posseidon restabeleceu essa diretriz, e o trabalho de animação e direção ficou bem próximo da cronologia dos quadrinhos. Se a fase de Asgard atingiu a completude como animação original da série, pode-se dizer que, graças ao know-how obtido nessa produção, a saga de Posseidon ostenta o status de epítome das animações baseadas em mangás.

   O senhor Araki não pode se encarregar da direção de animação da maior parte dos episódios da etapa final, mas os capítulos deixados a cargo de diretores de animação como Eisaku Inoue e Tomoko Kobayashi se tornaram altamente populares entre os fãs. A qualidade desses episódios figura entre as mais altas da compilação.

   Esses capítulos, sobretudo os finais, têm acabamento comparável ao de filmes e não deixam a desejar, mesmo se vistos à luz dos paradigmas atuais. Devido à exígua quantidade de episódios da reta final da série, seria possível obter uma percepção distinta da auferida ao tempo da estreia, se o espectador assistisse a todos os títulos contidos nesta caixa de DVDs de uma só vez.

   Torna-se imprescindível elucidar um incidente relacionado à fase de Posseidon e ao Gold Selection 3: a equipe de produção não conseguiu enviar o fotolito que encerrava o anime ao plantel da Jump Gold Selection a tempo (de fato, a ilustração final não está entre as páginas coloridas do livro). No entanto, graças à extrema solicitude do estafe da Tôei Dôga (atual Tôei Animation), a sequência do final foi enviada no último momento, o que tornou possível a sua inclusão, às pressas, na seção reservada a imagens em preto-e-branco.

   Haja vista todas essas adversidades, a inserção da última imagem da animação no livro foi uma grande proeza, um autêntico milagre. A força-tarefa de diretores, o estafe de animadores, o elenco de dubladores, a emissora de TV, os patrocinadores e a editora trabalharam como verdadeiros cavaleiros, cooperando e se amparando. Não é exagero dizer que o sucesso da série se deve a esta sinergia entre todo o pessoal envolvido na produção. Indubitavelmente, havia algo além de um mero negócio.

   Os sentimentos da equipe foram profundamente incutidos no anime e nos artigos colecionáveis da série, um programa originalmente direcionado ao público infantil que acabou por se tornar uma lenda perpetuada por gerações. Esses sentimentos não estão presentes apenas entre o time que faz parte da atração, mas também entre os telespectadores.

   E agora, no introito do século 21, nem é preciso dizer que a produção da fase de Hades, que jamais havia sido animada, e da fase do Céu, que já foi tachada de reles devaneio, se tornou a nova força motriz da epopeia.

   O mito dos cavaleiros não chegou ao fim, e todos sabem disso. Sempre que este mundo estiver ameaçado pelo mal, os cavaleiros da esperança se levantarão.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        (fim.)

 

Shingo Araki

 

Entrevista nº 1 — Designer de Personagens

 

“(…) é uma obra esplêndida; nós animadores somos especialmente gratos, pois nos divertimos muito com este trabalho.”

 

Para começar, poderia nos contar como ficou sabendo de Saint Seiya?

Como o mangá tinha começado a ser publicado na Shûkan Shônen Jump havia pouquíssimo tempo, eu jamais tinha ouvido falar de Saint Seiya. Num belo dia, o senhor Yoshioka, diretor executivo da Tôei Animation, me convidou: “Por que você experimenta esses personagens?”

Aquele foi o começo, quando me informei.

À primeira vista, tive o pressentimento de que poderia fazer uso do design das obras nas quais eu havia trabalhado no passado. Então, eu desenhei uma amostra para ser avaliada pelo mestre Kurumada, que a recebeu das mãos do produtor Hatano.

Quando ele me disse que o mestre havia apreciado o meu desenho, eu senti que estava no caminho certo e me enchi de autoconfiança.

 

O design das armaduras sofreu alterações na versão animada. O senhor poderia nos contar como foi esse processo?

Como me baseei no mangá, o primeiro modelo que desenhei trazia as armaduras com o design original. No entanto, assim que o projeto começou a sair do papel e os planos de transformá-lo em brinquedos vieram à tona, as infindáveis reuniões com os representantes da Bandai tiveram início.

Por essa razão, foi necessário muito tempo para chegarmos àquele design. Eu tive que seguir os protótipos de brinquedos que a Bandai havia criado a partir do mangá. Foi quando o meu calvário começou…

 

O leiaute chocante de Saint Seiya parecia sobressair…

Eu sempre quis compor esse tipo de leiaute. Sempre desejei desenhar leiautes maravilhosos, extremamente impactantes…

E o trabalho Seiya se interpôs no meu caminho para me dar essa oportunidade.

Como o daquela corrida em alta velocidade…

Aquela postura, com a inclinação do corpo para frente, transmite ao espectador a ilusão de que uma grande velocidade está sendo imprimida. Aquele tipo de deslocamento rápido jamais poderia ser reproduzido na prática. Na vida real, quanto mais você corre, mais você move os braços. Mas, como isto elevaria drasticamente o número de quadros-chave, e se eu deixasse de movimentar os braços? (Risos.)

Essa sensação de velocidade é resultado da economia de energia. Trata-se de uma restrição da quantidade de imagens, um auxílio aos animadores.

Um segmento como este geralmente não possui menos de 3.000 quadros. Fui muito elogiado pela produção por, mediante um esforço hercúleo, conseguir uma redução para 2.000.

É um grande exemplo de diminuição de quadros, não?

 

O senhor poderia contar qual é o seu personagem predileto?

Como vocês devem imaginar, é o Seiya. Ele tem tudo dos protagonistas nos quais trabalhei no passado.

Os atributos dos personagens principais de Kyojin no Hoshi, Ashita no Joe e de todos os trabalhos nos quais havia participado até então estavam ínsitos no Seiya.  Eles também estão profundamente embutidos nos quatro. Mas o Seiya tem cores tão fortes… Deve ser por isso que desenhei tantas imagens dele. (Risos.)

 

Surgiram alguns personagens originais na animação. Qual deles mais o impressionou?

O Cavaleiro de Cristal. Esses personagens podem ser chamados de primeiros cavaleiros originais, pois não existiam na epopeia de Seiya até o momento.

Logo que conseguimos terminar de colocar este tipo de personagem na prancheta, ficamos com vontade de desenvolvê-lo, de amadurecê-lo para tornar a usá-lo em outras oportunidades.

São personagens difíceis de desenhar. Mas essa volição se tornou um traço característico dos personagens originais que estavam a caminho. (Sorriso amarelo.)

 

Há algum episódio pelo qual o senhor tenha predileção?

O primeiro episódio. Por causa daquela sensação de novidade, de algo que está se iniciando. Também adoro aquele do Jamian, o domador de corvos [episódio 30].

Há uma cena na qual Seiya salta e alça um grande voo. Lembro-me que, quando vi o storyboard pela primeira vez, fiquei totalmente perdido, não entendi absolutamente nada. Contudo, depois de observar a cena finalizada, eu balbuciei: “Ah, então era isso?”

O diretor Yamauchi pensava em absolutamente todos os detalhes, nenhuma nuance escapava aos seus storyboards. Talvez por estar sempre no controle de todo o processo, ele se mostra indefectível, jamais perde a consciência de proporção e do mundo exterior, mesmo quando está engajado nas minúcias de consecutivas sequências de close-ups.

 

Por favor, mande uma mensagem aos fãs.

Saint Seiya é uma obra esplêndida; nós animadores somos especialmente gratos, pois nos divertimos muito com este trabalho.

O objetivo primordial de quem desenha é proporcionar divertimento ao espectador. Um reconhecimento dessa magnitude me enche de alegria e me dá energia para trabalhar novamente.

 

Muito obrigado.

 

(2003 — entrevista concedida num lugar não especificado de Tóquio.)

 

 

Hideyuki Hori

Entrevista nº 2 — O Dublador de Ikki de Fênix

“(…) só havia cara boa-pinta, e tudo o que eu podia fazer era tentar entreter as recepcionistas com um bom papo. O medo de vacilar e perder as gatinhas me deixava muito tenso.”

 

Conte como o foi processo pelo qual o senhor foi escolhido para o papel do Ikki.

Foi por uma espécie de audição. Depois que o papel foi decidido, pedi que me mostrassem o mangá. “Ah, este sentimento…”

Nas minhas performances, eu o representei como se fosse um homem adulto, sem levar em conta de que se tratava de um garoto de 15 anos. No início, imbuí na minha interpretação o sentimento de indiferença pelo Shun, como se não desse a mínima.

 

A série teve um longo período de difusão. Houve alguma mudança na forma de compor o personagem?

Sim, sem dúvida. No começo, ele era muito mau — ainda bem que ele continuou desalmado até o fim.

No entanto, ele foi se aproximando dos outros quatro, estreitando laços pouco a pouco. O sentimento que me norteava era o de agir como um lobo solitário entre os amigos, de bancar o durão.

No relacionamento com o Shun, apesar da severidade, eu deixei transparecer o afeto — como se fosse um pai.

 

O senhor ainda se recorda das coisas que aconteceram no decorrer da série?

A série de televisão e os filmes contaram com atores espetaculares, não é? O elenco de artistas convidados era composto por profissionais que participavam ativamente da dublagem de filmes ocidentais bem antes de nós protagonistas nos tornarmos atores.

Assimilamos muitas coisas desses veteranos. Esse aprendizado continua vivo na minha mente. Naquela época, copiei muitos trabalhos dos veteranos. Eu observei coisas como técnicas de respiração e de interposição de intervalos e as estudei bastante. Utilizar a própria sensibilidade na hora da interpretação é muito importante, mas o aparato técnico dos profissionais mais antigos também é de suma importância.

Hoje, tenho a convicção de que o ideal é que haja o sincretismo da sensibilidade com essas artimanhas. Durante a respiração ou intervalo, eu não me atenho estritamente ao texto a ser falado, penso naquilo que há por trás da fala, aquilo que está nas entrelinhas.

Um profissional incrivelmente habilidoso é capaz de manter uma maravilhosa sonoridade entre o fim de uma fala e o começo de outra. Mesmo que haja um intervalo, a sequência da fala não é quebrada.

Dessa forma, os outros dubladores não precisam entrar em cena imediatamente, podendo esperar mais pacientemente.

Num bate-papo real, uma pessoa pode fazer com que o interlocutor saiba que ainda tem algo a dizer apenas pela direção que os seus olhos fitam, mas isso é difícil na dublagem, pois todas as pessoas estão com os olhos cravados na tela.

Entretanto, isso não é obstáculo. Claro que, se vir o roteiro, eu consigo saber. Mas um homem de carne e osso não demonstra fisiologicamente que tem algo a dizer?

Essa tênue zona fronteiriça entre as falas, a atmosfera de colóquio, é magistralmente reproduzida por atores talentosos. Portanto, se um determinado dublador eventualmente, ele não poderá realizar as suas falas separadamente. Não admira que somente os verdadeiros experts sobrevivam neste negócio.

Considerando que executar a interpretação é o mais importante, se o ator for capaz de fazê-lo, receberá a permissão do diretor. No entanto, mesmo que a escala esteja em dia, o diretor não dará seu aval, se o ator não puder atuar. Eu tenho que mover a minha cabeça toda hora para fixar meus olhos no ponto certo. Se não efetuar o movimento enquanto falo, a respiração é quebrada e perco a noção de distância. Para que lado você fala quando se dirige a uma pessoa diante de você? Como fazer a conexão com a cena que se passou?

Quando há uma imagem e não tenho acesso ao storyboard, eu recebo uma explicação. Eu só consigo fazer um bom trabalho se interagir mentalmente com a imagem, como se fosse uma radionovela. Como a tela da TV é plana, eu fico focado no senso de profundidade e distância.

 

Ouvi dizer que os dubladores costumavam sair para beber depois do horário de serviço. O rumor procede?

Nós saíamos. O diretor vai cair duro na cadeira dele, mas estou falando a verdade. Foi você quem perguntou, hem… Também levamos o diretor ao bar. Quando trabalhávamos na série do Seiya, embora tivéssemos o hábito de sair para beber, eu estudava freneticamente. Penso que fui capaz de construir um bom trabalho de equipe com os outros dubladores e com o pessoal do estafe.

Como houve um grande período de produção, cada um de nós sabia o que o outro colega estava pensando. Longe das técnicas e intervalos, era muito complicado quando eu saía com os companheiros. Só havia cara boa-pinta, e tudo que eu podia fazer era tentar entreter as recepcionistas com um bom papo. O medo de vacilar e perder as gatinhas me deixava muito tenso.*

*Nota: Hori se refere às anfitriãs de bares popularmente conhecidas como “acompanhantes”, mulheres que entretêm os clientes com sua companhia. Essas belas atendentes geralmente apenas conversam, adulam e bebem com os fregueses, embora possam, ocasionalmente, se relacionar com eles fora da casa noturna.

 

Para finalizar, gostaria que o senhor mandasse uma mensagem aos fãs que compraram estes DVDs.

A série contou apenas com atores realmente formidáveis. Se só houvesse acesso ao áudio, eu acho que qualquer pessoa seria capaz de sentir a respiração dos personagens — até mesmo nas cenas em que não há falas.

Creio que, cientes desses fatos, os antigos espectadores poderão experimentar um entretenimento distinto quando assistirem à série novamente.

Este trabalho não está ultrapassado de forma alguma. Para mim, trata-se de uma obra bastante atual.

 

(2003 — entrevista concedida na sede da agência Aoni Production.)

 

2 Responses to “Booklet do Phoenix Box”

  1. Cléber Leite disse:

    Nossa, esse livrinho é muito maneiro. Essa enciclopédia dos personagens e a entrevista do Mestre Shingo são coisas do outro mundo. Parabéns.

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