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Entrevista do Maestro Seiji Yokoyama — Cygnus Box

By admin
nov 21st, 2013
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Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Saint Seiya DVD Box 4 Cygnus Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 4º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Lançamento: 26 de setembro de 2003.
Número de catálogo: BCBA-1354.
Data original da entrevista: 2003.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
Link para a publicação integral:
 
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Transcrição da Entrevista

 

 Seiji Yokoyama

Entrevista nº 1 — Compositor da Trilha Sonora

 

Saint Seiya é um trabalho de suma importância.”

 

Por favor, conte como se deu o envolvimento do senhor com Saint Seiya.

Tudo começou quando fui procurado pelo senhor Hiroshi Kimura, da Nihon Columbia (atualmente chamada de Columbia Music Entertainment). “Desta vez, vou lhe dar esse tal de Saint Seiya — ele disse.

Como eu não tinha o hábito de ler mangás, só soube da existência da obra depois do convite para o trabalho. Até hoje me lembro das palavras que ele me disse: “Conto com você. Faça-me boas músicas”.

 

Como foi o processo de produção das músicas do anime de Seiya?

A primeira coisa que fiz foi pedir algumas imagens coloridas dos personagens. Além de ter lido um pouco do mangá, na época da produção, eu preguei as fotos do Seiya, da Saori, do Ikki e do Shiryu na minha mesa.

Contemplá-las trazia à tona as imagens nas quais eu me inspirava para compor as melodias. Se eu me deixar enlevar pela história, escreverei músicas anódinas e insípidas.

Para mim, a trilha sonora é um aparato autônomo, alijado da trama. Também faço uso dessas imagens introjetadas para compor os temas.

Felizmente, as músicas agradaram ao mestre Kurumada, de quem recebi uma carta encantadora na época. No que tange aos filmes, as composições foram baseadas no storyboard.

 

Logo que um álbum chegava às lojas, outro era comercializado. Ao que parece, Saint Seiya manteve o senhor bastante ocupado…

Naqueles tempos, todos os LPs encalhavam nas prateleiras, mas, de alguma forma, Saint Seiya vendia bem e lançava um novo disco a cada dois ou três meses. 

Eu também trabalhava em outras produções para a TV e, sobrecarregado ou não, foi uma época que deixou saudade. Naqueles dias, o produtor Yoshifumi Hatano me falou com toda a sua amabilidade: “Escreva o que você quiser. Não limitarei o orçamento. Contrate todos os instrumentistas que precisar”.

Não pode haver um trabalho mais prazeroso do que este, pode?

 

Tenho a impressão de que a maior parte do trabalho se concentrou num período de dois anos. Isso procede?

Sim. Mesmo quando compunha melodias para outros programas de TV, Seiya continuava martelando em minha cabeça. Às vezes, eu tinha ideias para a trilha sonora no meio da refeição ou enquanto tomava banho. Eu pensava: “Ah! já sei! Vou usar isto no anime de Seiya!” [Risos.]

Eram aqueles insights…  aquelas ideias milagrosas que nascem do nada e salvam o dia…

 

Há alguma canção na trilha sonora de Saint Seiya pela qual o senhor tenha predileção?

A base da trilha sonora dos filmes era composta por temas musicais da série de TV. Na época do filme A Lenda dos Jovens Carmesins, eu pedi ao diretor Yamauchi permissão para compor uma espécie de coletânea original do título. A solicitude e a imediata autorização do diretor Yamauchi foram uma grata surpresa. É um bom álbum. Por favor, tente ouvi-lo.

 

A Lenda dos Jovens Carmesins tem a reputação de ser um modelo de filme perfeito…

Suponho que sim. Antes de morrer, eu ainda quero fazer uma superprodução cinematográfica de Seiya. Acho que uma hora e meia seria um tempo de duração perfeito. Eu tenho trocado algumas ideias com o mestre Kurumada a esse respeito. Entretanto, um filme custa dinheiro. [Sorriso amarelo.]

Mas que eu gostaria, gostaria…

Após o fim da série de Seiya, eu me reuni aos melhores músicos da Orquestra de Paris e da Europa para gravar a sinfonia do seriado Power Rangers Zeo* na Cidade-Luz. Na época, a difusão de Saint Seiya na França havia me tornado conhecido como “o Yokoyama, da composição musical”. A filhinha de uma instrumentista gritou abismada: “É o Yokoyama!” Aquilo foi sublime… [Risos.]

 

O senhor poderia nos falar de suas impressões acerca da produção de Saint Seiya?

Saint Seiya é um trabalho de uma importância para mim. É por isso que suas melodias decerto serão executadas no meu funeral. [Risos.]

Creio que é desnecessário dizer que as músicas das futuras produções de Seiya também terão presença cativa nas minhas exéquias. [Risos.]

Como todos devem imaginar, mesmo depois de tantos anos, eu ainda gostaria que as músicas de Saint Seiya fossem tocadas. Sobretudo, aquele tema de A Grande Batalha dos Deuses que tem sua abertura entoada por um coro masculino. Essa música não pode faltar de jeito nenhum.

Eu dizia a mim mesmo que me aposentaria quando fizesse 65 anos, mas já passei dos 68 e continuo a todo vapor. Se for convocado para trabalhar numa animação ou em outros segmentos, continuarei trabalhando.

 

O Japão agradece.

 

(2003 – entrevista concedida na casa do maestro Yokoyama.)

 

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