• ads

Entrevista de Takao Koyama — Dragon Box

By admin
In Estafe & Elenco — Entrevistas e Depoimentos
set 13th, 2013
0 Comments
852 Views
“Nestes 30 anos de carreira, eu participei de mais de 80 produções, mas esta foi a obra para a qual eu mais escrevi.”
 
Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Saint Seiya DVD Box 2 Dragon Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 2º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Lançamento: 28 de março de 2003.
Número de catálogo: BCBA-1352.
Data original da entrevista: 2003.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
Link para a publicação integral:
 
01
 
 

 

 

 Edições relacionadas:
Pegasus Box
Andomeda Box
Cygnus Box
Phoenix Box
The Movie Box 

 

 

 

 

Transcrição da Entrevista

 

Takao Koyama

Entrevista nº 1 — Roteirista da Série

 

“Nestes 30 anos de carreira, eu participei de mais de 80 produções, mas esta foi a obra para a qual eu mais escrevi.”

 

Para começar, o senhor poderia nos contar como se envolveu com esta obra?

Tudo começou quando fui contatado pelo produtor Kazuo Yokoyama. Minha mente estava profundamente impregnada da imagem de Time Bokan, e já fazia cerca de 10 anos que eu só escrevia comédias.

Quando li os mangás que me enviaram, percebi que era uma obra de ação bem série e recusei o convite, mas o senhor Yokoyama proferiu suas palavras fatais: “Eu quero ver como Takao Koyama vai ‘preparar’ esse trabalho”. Depois de ouvir isso, foi impossível recusar. [Risos.]

Depois de trabalhar em animes como Shinzô Ningen Casshan a serviço da Tatsuoko Pro., me engajei em comédias e não tive mais contato com o gênero ação, apesar de sentir falta.

Contudo, as palavras mordazes do senhor Yokoyama acabaram por selar o meu destino. E o resultado foi incrivelmente positivo.

Graças à experiência como escritor de Saint Seiya, a transição de temáticas entre Dragon Ball, uma comédia-pastelão, e Dragon Ball Z, um anime de ação, foi bastante suave.

É por isso que, para mim, este trabalho possui laços estreitos com Dragon Ball Z.

 

O começo do trabalho, quando não havia um estoque de quadrinhos, foi muito difícil?

Para que vocês possam ter uma ideia, naquela época, além de Saint Seiya, eu trabalhava em mais duas séries. Eu escrevia por volta de 10 roteiros por mês.

Por causa dessa jornada insana, eu acabei caindo de cama e me vi obrigado a requisitar outros roteiristas para o desenho.

Entretanto, quando o senhor Yoshiyuki Suga foi contratado, eu já estava completamente exausto, pois havia escrito 26 dos 31 episódios veiculados.

Quando comecei a escrever os scripts, o mangá não havia se desenvolvido muito, e eu não podia inflá-lo a meu bel-prazer. Por isso, para reproduzir o charme da produção, eu fui incentivado a trabalhar os desdobramentos já revelados nas páginas do mangá. Podem imaginar como foi problemático engendrar histórias paralelas e ser obrigado a criar elementos próprios do anime, não?

Apesar de tudo, acho que foi uma experiência proveitosa. Como o anime avançava ao mesmo tempo que o mangá, eu frequentemente era surpreendido pelos novos rumos da obra original.

No entanto, por volta do episódio 20, fui capaz de vislumbrar o panorama do universo do título como um todo e, a partir dos episódios 21 e 22, eu escrevia a todo vapor, sem nenhuma dificuldade.

À medida que o trabalho progredia, fizemos vários testes e, com o passar do tempo, fomos cortando os personagens que não se adaptavam à obra, como o Comandante Faeton, por exemplo. [Risos.]

É claro que não introduzo personagens de qualquer jeito; não posso ficar tecendo histórias irresponsáveis. Por isso, eu os elimino sem nenhum pesar. Afinal, não é segredo que os acréscimos devem ser limitados às partes que as pessoas querem ver.

A aparição dos cavaleiros de aço foi um desastre, não foi? Eu me lembro daquela lambança até hoje. Como resultado, eles foram cortados. [Risos.]

A intenção primordial era trazer um pouco de comédia à série. Acho que os sentimentos que me moviam afloraram em cenas como as das crianças do orfanato Filho das Estrelas.

 

No anime, há uma ênfase no relacionamento de Seiya e Miho, não?

Quando a Saori vira Atena, ela deixa de agir de forma passional, relegando seus sentimentos pessoais. Então, precisei encarregar a Miho desse papel.

Mas, como a ação foi deslocada para o Santuário, não adiantou muita coisa, certo? [Risos.]

 

Fazendo uma retrospectiva do trabalho, o senhor poderia nos dizer qual foi o personagem de quem mais gostou?

Hum, é bem difícil responder… mas eu escolheria o Shiryu, se fosse realmente obrigado. Eu adoro sua ligação com o Mestre-Ancião. Além disso, ainda tem o envolvimento com Shunrei, não?

Como esse tipo de situação era bem menos explorado no que tange aos outros personagens, foi muito interessante compor essas tramas.

 

O senhor poderia deixar umas palavras aos fãs que compraram estes DVDs?

Nestes 30 anos de carreira, eu participei de mais de 80 produções, mas esta foi a obra para a qual eu mais escrevi.

Guardo no coração incríveis recordações deste trabalho. Acho que, até nas partes em que fracassamos, o zelo dos integrantes do estafe, inclusive o meu, pode ser percebido na alta qualidade do filme.

É por isso que, para mim, Saint Seiya é uma obra-prima dos tempos áureos da animação.

Eu me sentiria afortunado se vocês fossem capazes de captar isso por meio destes DVDs.

 

Nossa equipe agradece.

(2003 – entrevista concedida na sede da Companhia de roteiristas Brother Noppo.)

 03

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *