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Entrevista do Mestre Shingo Araki — Phoenix Box

By admin
In Estafe & Elenco — Entrevistas e Depoimentos
set 16th, 2013
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“(…) é uma obra esplêndida; nós animadores somos especialmente gratos, pois nos divertimos muito com este trabalho.”
 
Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Phoenix Box Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 5º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Data original da entrevista: 2003.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
Link para a publicação integral:

phoenix222

 

 

Transcrição da Entrevista

 

Entrevista nº 1 — Designer de Personagens

 “(…) é uma obra esplêndida; nós animadores somos especialmente gratos, pois nos divertimos muito com este trabalho.”

 

Para começar, poderia nos contar como ficou sabendo de Saint Seiya?

Como o mangá tinha começado a ser publicado na Shûkan Shônen Jump havia pouquíssimo tempo, eu jamais tinha ouvido falar de Saint Seiya. Num belo dia, o senhor Yoshioka, diretor executivo da Tôei Animation, me convidou: “Por que você experimenta esses personagens?”

Aquele foi o começo, quando me informei.

À primeira vista, tive o pressentimento de que poderia fazer uso do design das obras nas quais eu havia trabalhado no passado. Então, eu desenhei uma amostra para ser avaliada pelo mestre Kurumada, que a recebeu das mãos do produtor Hatano.

Quando ele me disse que o mestre havia apreciado o meu desenho, eu senti que estava no caminho certo e me enchi de autoconfiança.

 

O design das armaduras sofreu alterações na versão animada. O senhor poderia nos contar como foi esse processo?

Como me baseei no mangá, o primeiro modelo que desenhei trazia as armaduras com o design original. No entanto, assim que o projeto começou a sair do papel e os planos de transformá-lo em brinquedos vieram à tona, as infindáveis reuniões com os representantes da Bandai tiveram início.

Por essa razão, foi necessário muito tempo para chegarmos àquele design. Eu tive que seguir os protótipos de brinquedos que a Bandai havia criado a partir do mangá. Foi quando o meu calvário começou…

 

O leiaute chocante de Saint Seiya parecia sobressair…

Eu sempre quis compor esse tipo de leiaute. Sempre desejei desenhar leiautes maravilhosos, extremamente impactantes…

E o trabalho Seiya se interpôs no meu caminho para me dar essa oportunidade.

 

Como o daquela corrida em alta velocidade…

Aquela postura, com a inclinação do corpo para frente, transmite ao espectador a ilusão de que uma grande velocidade está sendo imprimida. Aquele tipo de deslocamento rápido jamais poderia ser reproduzido na prática. Na vida real, quanto mais você corre, mais você move os braços. Mas, como isto elevaria drasticamente o número de quadros-chave, e se eu deixasse de movimentar os braços? (Risos.)

Essa sensação de velocidade é resultado da economia de energia. Trata-se de uma restrição da quantidade de imagens, um auxílio aos animadores.

Um segmento como este geralmente não possui menos de 3.000 quadros. Fui muito elogiado pela produção por, mediante um esforço hercúleo, conseguir uma redução para 2.000.

É um grande exemplo de diminuição de quadros, não?

 

O senhor poderia contar qual é o seu personagem predileto?

Como vocês devem imaginar, é o Seiya. Ele tem tudo dos protagonistas nos quais trabalhei no passado.

Os atributos dos personagens principais de Kyojin no Hoshi, Ashita no Joe e de todos os trabalhos nos quais havia participado até então estavam ínsitos no Seiya.  Eles também estão profundamente embutidos nos quatro. Mas o Seiya tem cores tão fortes… Deve ser por isso que desenhei tantas imagens dele. (Risos.)

 

Surgiram alguns personagens originais na animação. Qual deles mais o impressionou?

O Cavaleiro de Cristal. Esses personagens podem ser chamados de primeiros cavaleiros originais, pois não existiam na epopeia de Seiya até o momento.

Logo que conseguimos terminar de colocar este tipo de personagem na prancheta, ficamos com vontade de desenvolvê-lo, de amadurecê-lo para tornar a usá-lo em outras oportunidades.

São personagens difíceis de desenhar. Mas essa volição se tornou um traço característico dos personagens originais que estavam a caminho. (Sorriso amarelo.)

 

Há algum episódio pelo qual o senhor tenha predileção?

O primeiro episódio. Por causa daquela sensação de novidade, de algo que está se iniciando. Também adoro aquele do Jamian, o domador de corvos [episódio 30].

Há uma cena na qual Seiya salta e alça um grande voo. Lembro-me que, quando vi o storyboard pela primeira vez, fiquei totalmente perdido, não entendi absolutamente nada. Contudo, depois de observar a cena finalizada, eu balbuciei: “Ah, então era isso?”

O diretor Yamauchi pensava em absolutamente todos os detalhes, nenhuma nuance escapava aos seus storyboards. Talvez por estar sempre no controle de todo o processo, ele se mostra indefectível, jamais perde a consciência de proporção e do mundo exterior, mesmo quando está engajado nas minúcias de consecutivas sequências de close-ups.

 

Por favor, mande uma mensagem aos fãs.

Saint Seiya é uma obra esplêndida; nós animadores somos especialmente gratos, pois nos divertimos muito com este trabalho.

O objetivo primordial de quem desenha é proporcionar divertimento ao espectador. Um reconhecimento dessa magnitude me enche de alegria e me dá energia para trabalhar novamente.

 

Muito obrigado.

 

(2003 — entrevista concedida num lugar não especificado de Tóquio.)

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