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Kōzō Morishita — Entrevista do Pegasus Box

By admin
In Estafe & Elenco — Entrevistas e Depoimentos
set 15th, 2013
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“(…) eu tencionava expressar o poder dos quadrinhos da obra original no formato do anime.”
 
Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Pegasus Box Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 1º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Data original da entrevista: 2002.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (sagatwin@hotmail.com)
Link para a publicação integral:
 

 

Transcrição da Edição

Kōzō Morishita

Entrevista nº 1 — O Diretor da Série

 

“(…) eu tencionava expressar o poder dos quadrinhos da obra original no formato do anime.”

 

— O senhor pode nos contar como se deu seu envolvimento nesta obra?      

   Como ingressei na obra?… Antes de participar da série, eu estava engajado numa produção conjunta com o exterior, um trabalho chamado Transformers: O Filme; e, como o iene também havia sofrido uma maxidesvalorização, os recursos eram abundantes, razão pela qual foi uma produção incrivelmente extravagante, sabe?    
   O orçamento era de tal magnitude que podíamos gastar de forma inexaurível.  Com isso, pudemos construir uma composição de tela consideravelmente alta, nos dando ao luxo de também lançar mão de uma infinidade de experimentos para esmerar as demais nuances, não nos atendo somente às cenas de ação das batalhas.     

   Como o período de realização dessa obra foi bastante longo, eu também tive a oportunidade de engendrar várias ideias em relação à confecção da produção. Naquela época, eu ficava matutando: “Será que não daria certo se eu levasse esta quantidade de tensão para as produções direcionadas ao Japão? ”    

   Por esse motivo, a época das conversas acerca da transposição de Saint Seiya para o anime suscitou em mim a vontade de  experimentar todas as coisas que eu havia elucubrado até então. Além do mais, eu também estava chegando ao meu auge, tanto em idade quanto profissionalmente.     

   A voltagem dessa tensão aparece também na abertura. Mesmo com o advento da computação gráfica e os recursos de hoje em dia, não creio que seja possível reproduzir o filme daquela abertura.  Ainda que o mesmo também valha para o orçamento, que mandei para a estratosfera… (Risos.)  

— O que o senhor sentiu quando foi incumbido de fazer Saint Seiya?       

   Primeiro, li o mangá e logo consegui identificar o charme da obra, a parte mesmerizante do trabalho. Não é algo concreto; chamo de compatibilidade?… Era um sentimento que dizia: “Nesta obra, poderei testar tudo que vim cultivando durante a confecção das produções anteriores!”
   Apesar disso, tive dificuldades para coadunar essas ideias com uma produção real.  Como Saint Seiya era um conteúdo de ação de estilo absolutamente inovador, quebrei a cabeça nisso. Porque, diferente dos programas de esporte, não havia nada que pudéssemos usar como paradigma.             
   Sendo assim, após o início dos trabalhos no primeiro episódio, tive várias reuniões com o senhor Shingo Araki, do character design, e com o senhor Tadao Kubota, do design artístico, para determinar, sobretudo, como representar o Meteoro de Pégaso e questões do tipo.     

   Eu mesmo usei dramas históricos e faroestes como referência para pesquisar o tempo e a distância entre os oponentes.  A ação durante a história era também a minha grande obsessão.     

   Os desenhos do mestre Kurumada nos permitem sentir o que se oculta até mesmo no interior dos cabelos… Eu queria representar o poder dos quadrinhos originais em anime. Foi por isso que, em vez de mover os personagens aleatoriamente, utilizei apenas o vaivém das cabeleiras para produzir a tensão… 

— Acho que a colorização dos exuberantes cavaleiros também foi um dos pontos altos da produção animada, não? 

    Eu visava essa parte… que se tornasse um formato absolutamente inovador. É por isso que, no lugar das duas cores habituais, aplicávamos um sombreamento com 3 gradações nas armaduras e demais artefatos. Mas, ao fazer isso, o pessoal da colorização acabava querendo jogar a toalha. No entanto, eu não poderia ver o que estava à frente se não o fizesse.    
   Sem ultracrepidarismo ou falsa modéstia, me orgulho do fato de este trabalho ter mudado os conceitos em relação às cores das produções animadas.      

   Além disso, cônscio da sua profundidade, inclusive no que tange ao cenário, me pergunto se a existência dessa parte também não seria um dos motivos de não sentirmos tanto o peso da idade, mesmo quando visto hoje em dia.

  — Podemos depreender que vocês estavam cientes da rota original que estabeleceu um público-alvo de menor idade no início do projeto, não é verdade?      

   De fato, no estágio do planejamento, a faixa etária visada era a do público infantil. Mas, como aspirávamos à consecução de uma qualidade elevada, talvez o anime também tenha cooptado um público de idade mais avançada que o desiderato do projeto.     

   Além disso, à medida que fazíamos o projeto avançar, havia em todo o estafe o consenso de levar a série no mesmo fluxo do mangá no estágio inicial.     

   Eu pude perceber que a série era popularmente conhecida quando vi as crianças da vizinhança imitando a coreografia do Pó de Diamante do Hyoga, lá pela difusão do oitavo episódio. 

— Para encerrarmos, existe algum episódio que o tenha marcado mais? 

   Como vocês já devem imaginar, a abertura, o encerramento e o primeiro episódio.

   Além disso, embora tenha participado da saga de Asgard como produtor, penso que fomos capazes de mostrar originalidade para não violar a imagem do mangá. Para isso, nós todos nos enclausuramos e deliberamos sobre os detalhes. Nesse sentido, as  reminiscências são mais marcantes, sabe? 

— Muito obrigado por nos atender hoje. 

(2002 — entrevista concedida no  escritório central da Tōei Animation.)

 

 

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