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Masayoshi Kawata — Entrevista do Andromeda Box

By admin
In Estafe & Elenco — Entrevistas e Depoimentos
dez 16th, 2003
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“(…) acho que as palavras ‘que se acenda o meu cosmo’ transpuseram as telas e acabaram contagiando a produção.”
 
Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Andromeda Box Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 3º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Data original da entrevista: 2003.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
Link para a publicação integral:
 
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Transcrição da Entrevista

 

Masayoshi Kawata

 Entrevista nº 1 — Produtor da TV Asahi

 

“(…) acho que as palavras ‘que se acenda o meu cosmo’ transpuseram as telas e acabaram contagiando a produção.”

 

O senhor poderia nos contar como surgiu a oportunidade de ingressar neste trabalho?

Antes dele, eu estava empenhado em novelas, em sua maioria live-actions como Saturday Night at the Mysteries. Contudo, acabei assumindo as funções de meu predecessor, o senhor Morihiro Katô. Foi como se eu tivesse sido transferido bem a tempo, bem na época da chancela do projeto que antecedia a difusão. Até então, só havia atuado como produtor assistente de Ginga: Nagareboshi Gin. Portanto, a série foi minha primeira experiência substancial no ramo de animações.

 

Como foi esse debute do senhor em animações?

No que tange à produção de um drama, a base de um anime e de uma obra com atores de carne e osso provavelmente não muda. Ao contrário, os animes podem materializar situações que não podem ser retratadas nos live-actions. Nos desenhos, existe uma total liberdade de expressão, não é mesmo?

Quando entrei no mundo das animações, a resposta direta dos fãs me deixou muito contente. Nos dramas representados por gente de verdade, os atores recebem muitas cartas de fãs; no entanto, a quantidade de cartas relacionadas ao conteúdo dos programas, se comparada à dos entusiastas de animes, é infinitesimal.

Esse reconhecimento foi extremamente gratificante para mim.

Depois da reunião com o pessoal do estúdio da Tôei Dôga em Ôizumi, dava para ver pelas janelas que quase todas as luzes do prédio ainda estavam acesas. Eu fiquei impressionado com o comprometimento demonstrado por todo o pessoal até altas horas da noite.

Eu já sabia que os animes eram criados pelo enorme contingente de pessoas alocadas na sua produção, mas, depois de vê-los trabalhando, eu compreendi que um anime nasce das ações de cada um dos homens da equipe.

 

Creio que sempre houve muitos problemas com o parco estoque de mangás. Como o senhor lidou com isso?

Exato. A luta é o cerne do mangá, mas o anime era um programa direcionado a toda a família, razão pela qual tivemos de expandi-lo com partes inexistentes nos quadrinhos. Também surgiram vários personagens na produção, mas sempre tivemos consciência da necessidade de ressaltar o papel do Seiya como protagonista da trama. De fato, a publicação do mangá tinha acabado de começar, e eu estava muito hesitante em introduzir esses acréscimos, mas a grande receptividade desses fragmentos entre os fãs dissipou o receio e me deixou completamente extasiado. A experiência que adquiri naquela época se faz presente na produção dos dramas de hoje.

 

Os títulos dos episódios também foram uma criação do senhor?

Não apenas minha, eu consultei todos os membros da produção para conceber cada um deles. Eu não me contentava em inserir só as sinopses dos episódios nos guias de TV dos jornais (seção dos periódicos dedicada à programação radiotelevisiva), eu queria incluir até os nomes dos dubladores que apareciam.

Num dia desses, eu vi todos esses subtítulos postados no site de um fã. Ler os nomes dos episódios me fez lembrar dos velhos tempos…

Saber que uma série veiculada há mais de 10 anos continua ecoando no mundo contemporâneo é uma alegria sem tamanho para as pessoas que participaram da produção.

 

O senhor poderia nos falar das memórias mais marcantes que guarda daquela época?

Trata-se de um trabalho baseado na mitologia grega. Considerando que eu tinha me especializado em história da civilização grega nos tempos de universitário, já estava familiarizado com a temática desde o princípio.

Como o antigo prédio da TV Asahi ficava na vizinhança da embaixada da Grécia, o mestre Kurumada, autor do mangá, me confiou uma consulta ao órgão para confirmar a mensagem no testamento de Aiolos.

A febre dos artigos colecionáveis, ganhar o Japan Anime Grand Prix*, viajar com a equipe e com a turma de atores…

As lembranças desta produção nunca se apagarão da minha mente.

Continuam bem vivos na minha memória os grandes feitos de homens como o produtor Yoshifumi Hatano, Takao Koyama, da composição, Kôzô Morishita, diretor da série, Tadao Kubota, da direção artística, Seiji Yokoyama, da trilha sonora, e dos outros componentes da equipe principal.

O mesmo se aplica à constelação de atores fenomenais que foi agremiada no elenco, começando pelo dublador Tôru Furuya. Até hoje sou capaz de murmurar as músicas de Seiya. (Risos.)

Acho que as palavras “que se acenda o meu cosmo” transpuseram as telas e acabaram contagiando a produção. Aquele cosmo ardente continua no meu peito e me faz querer continuar produzindo.

 (2003 — entrevista concedida na TV Asahi, centro de Kamiyachô.)

 

 

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