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Hideyuki Hori — Entrevista do Phoenix Box

By admin
nov 24th, 2013
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Publicação oficial de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco): Phoenix Box Booklet — livro-bônus de 24 páginas que integrou o lançamento da 5º caixa de DVDs da Bandai Visual.
Data original da entrevista: 2003.
Tradução autóctone e edição: Fábio Vaz (Sagatwin)
Link para a publicação integral:

phoenix222

 

 

Transcrição da Entrevista

 

Hideyuki Hori

Entrevista nº 2 — O Dublador de Ikki de Fênix

“(…) só havia cara boa-pinta, e tudo o que eu podia fazer era tentar entreter as recepcionistas com um bom papo. O medo de vacilar e perder as gatinhas me deixava muito tenso.”

 

Conte como o foi processo pelo qual o senhor foi escolhido para o papel do Ikki.

Foi por uma espécie de audição. Depois que o papel foi decidido, pedi que me mostrassem o mangá. “Ah, este sentimento…”

Nas minhas performances, eu o representei como se fosse um homem adulto, sem levar em conta de que se tratava de um garoto de 15 anos. No início, imbuí na minha interpretação o sentimento de indiferença pelo Shun, como se não desse a mínima.

 

A série teve um longo período de difusão. Houve alguma mudança na forma de compor o personagem?

Sim, sem dúvida. No começo, ele era muito mau — ainda bem que ele continuou desalmado até o fim.

No entanto, ele foi se aproximando dos outros quatro, estreitando laços pouco a pouco. O sentimento que me norteava era o de agir como um lobo solitário entre os amigos, de bancar o durão.

No relacionamento com o Shun, apesar da severidade, eu deixei transparecer o afeto — como se fosse um pai.

 

O senhor ainda se recorda das coisas que aconteceram no decorrer da série?

A série de televisão e os filmes contaram com atores espetaculares, não é? O elenco de artistas convidados era composto por profissionais que participavam ativamente da dublagem de filmes ocidentais bem antes de nós protagonistas nos tornarmos atores.

Assimilamos muitas coisas desses veteranos. Esse aprendizado continua vivo na minha mente. Naquela época, copiei muitos trabalhos dos veteranos. Eu observei coisas como técnicas de respiração e de interposição de intervalos e as estudei bastante. Utilizar a própria sensibilidade na hora da interpretação é muito importante, mas o aparato técnico dos profissionais mais antigos também é de suma importância.

Hoje, tenho a convicção de que o ideal é que haja o sincretismo da sensibilidade com essas artimanhas. Durante a respiração ou intervalo, eu não me atenho estritamente ao texto a ser falado, penso naquilo que há por trás da fala, aquilo que está nas entrelinhas.

Um profissional incrivelmente habilidoso é capaz de manter uma maravilhosa sonoridade entre o fim de uma fala e o começo de outra. Mesmo que haja um intervalo, a sequência da fala não é quebrada.

Dessa forma, os outros dubladores não precisam entrar em cena imediatamente, podendo esperar mais pacientemente.

Num bate-papo real, uma pessoa pode fazer com que o interlocutor saiba que ainda tem algo a dizer apenas pela direção que os seus olhos fitam, mas isso é difícil na dublagem, pois todas as pessoas estão com os olhos cravados na tela.

Entretanto, isso não é obstáculo. Claro que, se vir o roteiro, eu consigo saber. Mas um homem de carne e osso não demonstra fisiologicamente que tem algo a dizer?

Essa tênue zona fronteiriça entre as falas, a atmosfera de colóquio, é magistralmente reproduzida por atores talentosos. Portanto, se um determinado dublador eventualmente, ele não poderá realizar as suas falas separadamente. Não admira que somente os verdadeiros experts sobrevivam neste negócio.

Considerando que executar a interpretação é o mais importante, se o ator for capaz de fazê-lo, receberá a permissão do diretor. No entanto, mesmo que a escala esteja em dia, o diretor não dará seu aval, se o ator não puder atuar. Eu tenho que mover a minha cabeça toda hora para fixar meus olhos no ponto certo. Se não efetuar o movimento enquanto falo, a respiração é quebrada e perco a noção de distância. Para que lado você fala quando se dirige a uma pessoa diante de você? Como fazer a conexão com a cena que se passou?

Quando há uma imagem e não tenho acesso ao storyboard, eu recebo uma explicação. Eu só consigo fazer um bom trabalho se interagir mentalmente com a imagem, como se fosse uma radionovela. Como a tela da TV é plana, eu fico focado no senso de profundidade e distância.

 

Ouvi dizer que os dubladores costumavam sair para beber depois do horário de serviço. O rumor procede?

Nós saíamos. O diretor vai cair duro na cadeira dele, mas estou falando a verdade. Foi você quem perguntou, hem… Também levamos o diretor ao bar. Quando trabalhávamos na série do Seiya, embora tivéssemos o hábito de sair para beber, eu estudava freneticamente. Penso que fui capaz de construir um bom trabalho de equipe com os outros dubladores e com o pessoal do estafe.

Como houve um grande período de produção, cada um de nós sabia o que o outro colega estava pensando. Longe das técnicas e intervalos, era muito complicado quando eu saía com os companheiros. Só havia cara boa-pinta, e tudo que eu podia fazer era tentar entreter as recepcionistas com um bom papo. O medo de vacilar e perder as gatinhas me deixava muito tenso.*

*Nota: Hori se refere às anfitriãs de bares popularmente conhecidas como “acompanhantes”, mulheres que entretêm os clientes com sua companhia. Essas belas atendentes geralmente apenas conversam, adulam e bebem com os fregueses, embora possam, ocasionalmente, se relacionar com eles fora da casa noturna.

 

Para finalizar, gostaria que o senhor mandasse uma mensagem aos fãs que compraram estes DVDs.

A série contou apenas com atores realmente formidáveis. Se só houvesse acesso ao áudio, eu acho que qualquer pessoa seria capaz de sentir a respiração dos personagens — até mesmo nas cenas em que não há falas.

Creio que, cientes desses fatos, os antigos espectadores poderão experimentar um entretenimento distinto quando assistirem à série novamente.

Este trabalho não está ultrapassado de forma alguma. Para mim, trata-se de uma obra bastante atual.

 

(2003 — entrevista concedida na sede da agência Aoni Production.)

 

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